Filipa Leal (Porto, 1979) is niet meer weg te denken uit het Portugese literaire landschap. Ze werkt als journalist, organiseert literaire lezingen en culturele evenementen, maakt tv-programma’s en schrijft gedichten. Ze heeft een kenmerkende eigen stijl, die collega-dichter Jorge de Sousa Braga als volgt omschrijft:
“Het moeilijkste voor een dichter is een eigen stem vinden. Als ik ergens een gedicht van Filipa tegenkom in een krant, een bloemlezing of een blog, dan herken ik haar stem meteen. Filipa’s wereld is vol bomen, licht en schaduw, nacht, huizen, boeken, woorden … Ze schrijft geen acrobatische poëzie waarin de woorden over elkaar heen buitelen, maar bouwt haar gedichten zorgvuldig op, draad voor draad, als een web. En wij, lezers, worden er als vliegen in gevangen.”

Op sombere dagen praat je niet over vogels.
Je belt je vrienden op en ze zijn er niet
en daarna vraag je een vuurtje op straat
alsof je om een gloednieuw
hart vraagt.
Op sombere dagen is het winter
en loop je in de kou met een sigaret in je hand
de wind te verbranden en zeg je
– hallo!
tegen voorbijgangers
die al voorbij zijn
zonder dat je het in de gaten had.
Op sombere dagen praat je in jezelf
en is er altijd wel een vogel
die ergens op zit
in plaats van zich te nestelen in je hart
en met je te praten.
*
Nos dias tristes não se fala de aves.
Liga-se aos amigos e eles não estão
e depois pede-se lume na rua
como quem pede um coração
novinho em folha.
Nos dias tristes é Inverno
e anda-se ao frio de cigarro na mão
a queimar o vento e diz-se
– bom dia!
às pessoas que passam
depois de já terem passado
e de não termos reparado nisso.
Nos dias tristes fala-se sozinho
e há sempre uma ave que pousa
no cimo das coisas
em vez de nos pousar no coração
e não fala connosco.
Uit: A Cidade Líquida e Outras Texturas (2006)
Vertaling Marilyn Suy
Foto Ana Carvalho
Dit gedicht verscheen eerder in Zuca-Magazine op 18 januari 2021.
Voor de liefhebbers hier nog enkele gedichten van Filipa Leal:
Nesta Brisa.
Nesta brisa quase suave
de plantas já anoitecidas
quase te toco entre as regas,
e entristeço.
A tua ausência é tão real
como os vastos campos de girassóis
secos, envelhecidos, quase mortos.
Alugo a voz e a expressão
a par de todos os espaços
deste lugar que se inicia.
Tudo isto é simples:
tenho o coração desarrumado.
Vem.
S/Titulo.
Um jardim azul
Uma miragem
A minha mão adormecida
onde os campos choram tulipas
E o eco dentro daquele ombro metálico
O que há de real e bruto em tudo isto?
A nudez absoluta, titubeante beleza
das pételas escritas
E um corpo sob a pena, sob a tinta,
sob a interminável noite de prazeres
Todos os gestos
Todas as tendas E o cheiro de um rio
Tocar ao relento a submissão interrompida
Ler dentro de fora de ti
Ler–te
enquanto despimos o sussuro
Amar-te desordenadamente
Recitar muito alto
E adormecer
(em: Talvez os Lírios Compreendam 2004)
A Tinta
E de tinta se fez o mundo.
Na tela se desenharam escadas
para subir e descer a paisagem.
Construiram-se casas, muros,
gente
que não pôde deter os olhos
insensatos, gente
invadindo a imagem.
Entrámos na casa. Saltámos o muro.
Riscámos a natureza morta
para entender a vida.
Depois tivemos filhos que saíram da casa,
que caíram dos muros.
Mais tarde, muito mais tarde,
da tela retirámos os rostos, os passos.
Dela nos retirámos
para que no mundo se entendesse
o vazio de tudo.
E só então do mar se fez o céu
que nos cobre de água.